Outubro de 2026. A Loja Exemplo fatura R$ 180 mil por mês, dá lucro no papel e vai terminar o trimestre com R$ 40 mil na conta. Parece tranquilo. Só que, no meio de dezembro, o saldo encosta em R$ 10 mil: folha, segunda parcela do 13º, DAS e FGTS vencem antes de o dinheiro das vendas da Black Friday no cartão cair na conta. Nenhum relatório mensal mostra esse vale. A projeção de caixa em 13 semanas mostra, e com oito semanas de antecedência.

Resumo em 30 segundos

  • O que é: uma planilha semanal e rolante de entradas e saídas de dinheiro para os próximos 91 dias, feita a partir do saldo real do banco.
  • Por que semanal: folha, DAS, FGTS e 13º se concentram em dias específicos. O mês fecha, a semana pode não fechar.
  • O que ela entrega: tempo. Ver o aperto com 8 semanas de antecedência troca juros de emergência por uma renegociação.

Neste guia você vai montar a sua em sete etapas, com um exemplo completo de uma pequena empresa brasileira, saldo mínimo, três cenários, comparação entre previsto e realizado, gatilhos de ação e uma calculadora para testar os seus números.

As 13 semanas da Loja Exemplo: saldo no fim de cada semana, em R$ mil

S13805/10
S24612/10
S34419/10
S45326/10
S52602/11
S63009/11
S73016/11
S84023/11
S94030/11
S101907/12
S111014/12
S123421/12
S134028/12

Borda laranja: semana abaixo do saldo mínimo de R$ 35 mil. Célula escura: a semana crítica. Caso ilustrativo.

O que é a projeção de caixa de 13 semanas

É uma planilha que lista, semana a semana, todo o dinheiro que vai entrar e sair da empresa nos próximos três meses. Ela parte do saldo real do banco, lança cada recebimento e cada pagamento na semana em que o dinheiro efetivamente se move e mostra o saldo no fim de cada semana. Toda segunda-feira a semana que passou vira histórico e uma nova semana entra no fim da fila. Por isso ela é chamada de projeção rolante: você sempre enxerga 13 semanas à frente.

A projeção de 13 semanas é

  • Uma lista de entradas e saídas de dinheiro, semana a semana
  • Feita a partir do saldo bancário conciliado
  • Atualizada toda semana, sempre com 13 semanas à frente
  • Uma ferramenta para decidir com antecedência

E não é

  • A DRE nem o orçamento anual
  • Uma projeção de lucro
  • Uma planilha feita uma vez e esquecida
  • Coisa só de empresa em crise

Por que semana e não mês? Porque as saídas grandes de uma pequena empresa se concentram em dias específicos: folha no começo do mês, DAS e FGTS perto do dia 20, 13º em novembro e dezembro. Somado no mês, o caixa fecha. Olhado semana a semana, pode não fechar. É exatamente nessa diferença que as empresas quebram sem perceber.

Por que 13 semanas, e não 4 ou 52

Treze semanas somam 91 dias, um trimestre. É curto o bastante para que a maior parte da projeção venha de compromissos já assumidos (notas emitidas, folha, aluguel, contratos) e longo o bastante para dar tempo de agir: renegociar prazo com fornecedor, antecipar uma cobrança, adiar uma compra ou buscar crédito com calma, antes que ele vire emergência.

A ferramenta não nasceu em livro de finanças. Ela vem do mundo da reestruturação de empresas, onde ninguém empresta dinheiro sem saber quantas semanas de caixa sobram.

  1. ReestruturaçãoCredores e assessores exigem a projeção como prova de que a empresa controla a própria liquidez.
  2. Crédito para empresas em criseNos Estados Unidos, contratos de financiamento a empresas em recuperação (DIP) cobram a projeção e costumam aceitar desvios acumulados entre 10% e 20%.
  3. Recuperação judicialNo Brasil, a disciplina de caixa semanal vira condição de sobrevivência durante o processo.
  4. Gestão de rotinaEmpresas saudáveis adotam a mesma ferramenta justamente para não chegar lá.

O Ponto Cego: lucro no mês, caixa zerado na semana

Veja o mesmo negócio por duas lentes. A contabilidade de novembro diz que a Loja Exemplo foi bem. O caixa de dezembro diz outra coisa.

Loja Exemplo, novembro de 2026 (ilustrativo)
Vendas faturadas no mês, com Black FridayR$ 205 mil
Custos e despesas do mês, com a provisão do 13ºR$ 187 mil
Resultado de novembro+ R$ 18 mil
Menor saldo em conta, semana de 14/12R$ 10 mil

Não há erro nas contas. Há três descompassos de tempo, e todos empurram o aperto para dezembro:

Calendário dos três descompassos entre lucro e caixaVendas da semana da Black Friday, de 23 a 29 de novembro, recebidas de 23 a 29 de dezembro; 13º provisionado todo mês e pago em 30 de novembro e 18 de dezembro; estoque pago em outubro e novembro e recebido só no fim de dezembro. Out Nov Dez Jan semanas 10 e 11 Vendas no cartão 13º salário Estoque da Black Friday vende 23 a 29/11 recebe 23 a 29/12 cerca de 30 dias de espera provisão mensal 1ª parcela 30/11 2ª parcela 18/12 paga 20/10 paga 10/11 vende recebe sai do caixa entra no caixa só na contabilidade

Arraste o gráfico para o lado para ver todas as semanas.

O cartão paga cerca de 30 dias depois da venda. O 13º é reconhecido aos poucos na contabilidade, mas sai do caixa em duas parcelas. O estoque é pago antes de ser vendido.

O lucro diz se o negócio vale a pena. O caixa diz se ele chega vivo ao fim do mês. É essa distância que o eBook gratuito O Ponto Cego chama de ponto cego do empresário.

Como fazer a projeção de 13 semanas: passo a passo em 7 etapas

  1. Parta do saldo real, conciliado

    Some o que está disponível hoje em todas as contas bancárias, na conta digital, na maquininha (valores já liberados) e em espécie. Use o extrato, não o saldo contábil. Tire valores bloqueados, garantias e dinheiro que já tem destino certo, como um Pix de fornecedor agendado para amanhã.

  2. Lance as entradas pelo meio de pagamento

    O mesmo real vendido chega em datas diferentes conforme o meio. Lance cada entrada na semana em que ela cai na conta, não na semana da venda.

    MeioQuando o dinheiro chegaComo lançar
    PixNa horaNa semana da venda
    Cartão de débitoEm geral, no dia útil seguinteNa semana da venda ou na seguinte
    Crédito à vistaEm geral, 30 dias depois (confira o contrato da sua adquirente)4 a 5 semanas após a venda
    Crédito parceladoUma parcela por mêsUma linha para cada parcela
    Boleto1 a 2 dias úteis após o pagamentoPela data provável de pagamento, não pelo vencimento
    Pix AutomáticoNa data do débito combinadoNa data agendada, com margem para falhas
    Recebível já antecipadoJá entrouNão lance de novo

    Separe também as entradas por grau de certeza: contratadas (nota emitida, parcela de cartão já vendida), prováveis (cliente recorrente que sempre paga) e possíveis (proposta ainda em negociação). Possível não entra no cenário base.

  3. Lance as saídas pelo calendário

    Coloque cada pagamento na semana do vencimento real: folha até o 5º dia útil, DAS e FGTS no dia 20, aluguel, fornecedores pela data combinada, parcelas de empréstimo (principal e juros, porque o principal sai do caixa mesmo sem aparecer na DRE), 13º salário (primeira parcela até 30 de novembro, segunda até 20 de dezembro), férias e despesas anuais como IPVA, IPTU, seguros e licenças.

    Vencimentos em fim de semana ou feriado podem ser antecipados ou prorrogados, conforme a regra de cada obrigação. Confirme o calendário com o seu contador.

  4. Defina o saldo mínimo

    O saldo mínimo é a linha abaixo da qual você não aceita ficar. Sem ele, a projeção vira só uma lista de números. Com ele, cada semana ganha um veredito: dentro ou fora.

    Saldo mínimo = saídas fixas de 1,5 a 2 semanas

    Saídas fixas: folha, aluguel, DAS, FGTS e parcelas de dívida. A Loja Exemplo tem cerca de R$ 90 mil por mês (R$ 21 mil por semana) e definiu R$ 35 mil. Em negócio sazonal ou com poucos clientes grandes, use o topo da faixa ou mais.

  5. Monte três cenários

    Base (o que você realmente espera), pessimista (entradas 10% menores e boletos pagando com uma semana de atraso) e otimista (entradas 5% maiores). O cenário que orienta decisão é o pessimista: se ele fura o mínimo, você age agora, enquanto ainda é barato agir.

  6. Compare previsto com realizado toda semana

    Quando a semana termina, anote o que de fato entrou e saiu ao lado do que estava previsto. Calcule a diferença por linha, olhe o acumulado das últimas quatro semanas e observe se o erro vai sempre para o mesmo lado. Detalhes na seção previsto vs realizado.

  7. Role a janela e acione os gatilhos

    A semana encerrada vira histórico, e uma nova semana 13 entra na planilha. Se o saldo projetado cruzar o mínimo em qualquer ponto, dispare a ação combinada para aquela distância. É o que transforma a planilha em gestão.

Exemplo completo: 13 semanas de uma PME, de outubro a dezembro de 2026

A Loja Exemplo é um comércio com faturamento de cerca de R$ 180 mil por mês, parte relevante das vendas no cartão de crédito, oito funcionários e aluguel de R$ 16 mil. Começa a projeção em 5 de outubro com R$ 62 mil em conta e saldo mínimo de R$ 35 mil. Todos os valores são ilustrativos.

Saldo projetado semana a semana contra o saldo mínimo

Comparar com:
Saldo projetado da Loja Exemplo em 13 semanas Linha de saldo semanal de outubro a dezembro de 2026 comparada ao saldo mínimo de R$ 35 mil. O saldo fica abaixo do mínimo nas semanas 5, 6, 7, 10, 11 e 12, com menor valor de R$ 10 mil na semana 11. -40 -20 0 20 40 60 R$ mil S1 05/10 S2 12/10 S3 19/10 S4 26/10 S5 02/11 S6 09/11 S7 16/11 S8 23/11 S9 30/11 S10 07/12 S11 14/12 S12 21/12 S13 28/12 Saldo mínimo R$ 35 mil Pessimista Otimista R$ 10 mil na S11 menor saldo

Arraste o gráfico para o lado para ver todas as semanas.

Pontos laranja: semanas abaixo do mínimo. Pessimista: entradas 10% menores. Otimista: entradas 5% maiores.

A leitura é direta. O problema da Loja Exemplo não é vender pouco. É o empilhamento, em dezembro, de folha, segunda parcela do 13º, DAS e FGTS antes de o cartão da Black Friday entrar. No cenário base, o saldo fica abaixo do mínimo em seis semanas e toca R$ 10 mil na semana 11. No pessimista, a conta fica negativa a partir da semana 10 e chega a menos R$ 38 mil. Até no otimista a semana 11 fura o mínimo. E tudo isso fica visível no começo de outubro, com oito semanas para agir.

SemanaInícioEntradasSaídasO que pesaSaldo final
S105/104468Folha e aluguel38
S212/104032Fornecedores46
S319/104244DAS e FGTS44
S426/104334Estoque53
S502/114168Folha e aluguel26
S609/114238Estoque da Black Friday30
S716/114444DAS e FGTS30
S823/114636Semana da Black Friday40
S930/1145451ª parcela do 13º40
S1007/124768Folha e aluguel19
S1114/125059DAS, FGTS e 2ª parcela do 13º10
S1221/125834Entra o cartão da Black Friday34
S1328/123832Semana de feriados40
Trimestre580602Variação de menos R$ 22 mil40

Valores em R$ mil. Linhas destacadas: saldo abaixo de R$ 35 mil.

Para onde foi o dinheiro do trimestre

Cascata do trimestre: de R$ 62 mil de saldo inicial para R$ 40 mil de saldo final 0 100 200 300 400 500 600 Saldo inicial 62 Recebimentos +580 Folha −156 Aluguel −48 DAS e FGTS −66 13º salário −30 Fornecedores e estoque −302 Saldo final 40 R$ mil

Arraste o gráfico para o lado para ver todas as semanas.

Barras escuras: saldos. Barra branca: recebimentos. Barras com contorno laranja: saídas.

O trimestre fecha com R$ 22 mil a menos do que começou, e não por prejuízo. A loja pagou duas parcelas do 13º e comprou estoque para a Black Friday dentro do período, enquanto parte das vendas de dezembro no cartão só entra em janeiro. Quem olha apenas o saldo de 31 de dezembro vê R$ 40 mil e acha que foi um trimestre normal. Quem olha semana a semana vê que a empresa passou seis semanas abaixo do colchão e chegou a R$ 10 mil em pleno dezembro.

Previsto vs realizado: como medir o erro sem se enganar

Uma projeção que ninguém confere vira ficção. A comparação semanal entre previsto e realizado é o que faz a planilha melhorar com o tempo. Veja as entradas das quatro primeiras semanas da Loja Exemplo.

Entradas previstas e realizadas nas semanas 1 a 4 0 10 20 30 40 50 44 41 S1 −6,8% 40 37 S2 −7,5% 42 43 S3 +2,4% 43 39 S4 −9,3% Previsto Realizado (R$ mil)

Arraste o gráfico para o lado para ver todas as semanas.

Em laranja, desvios desfavoráveis. Acumulado das quatro semanas: previsto R$ 169 mil, realizado R$ 160 mil, desvio de menos 5,3%.

Três medidas bastam para uma pequena empresa:

Erro da semana

(realizado menos previsto) ÷ previsto

Na semana 4 da loja: menos 9,3%.

Erro acumulado de 4 semanas

soma realizada ÷ soma prevista

Dilui o ruído de um boleto que atrasou dois dias. É o desenho usado em contratos de crédito para empresas em reestruturação.

Viés

o erro vai sempre para o mesmo lado?

A loja errou para baixo em três de quatro semanas. Provável causa: boletos lançados no vencimento, não na data real de pagamento.

Cuidado com percentuais prontos de acurácia

Circulam na internet números como “empresas bem geridas acertam 95% nas primeiras semanas”. Não há estudo publicado que sustente essas faixas; são metas de mercado, não medições. O padrão formal que existe está em contratos de crédito para empresas em crise, com tolerância de desvio acumulado entre 10% e 20%, sendo 15% o valor mais comum. Use isso como referência, não como nota de prova.

O que vale para qualquer empresa: as semanas 1 a 4 são quase só compromissos conhecidos e devem errar pouco. As semanas 9 a 13 são majoritariamente premissa e vão errar mais. Uma boa prática é lançar item por item até a semana 6 e usar médias com sazonalidade da semana 7 em diante.

Gatilhos de ação e rotina semanal

A projeção só vale se alguém fizer alguma coisa quando o saldo projetado cruzar o mínimo. Combine antes o que será feito em cada distância, para não decidir no susto.

O saldo projetado fura o mínimo emComercialComprasFinanceiro
8 semanas ou maisOferecer desconto para pagamento à vista ou via PixRenegociar prazo com os principais fornecedoresPedir limite de crédito pré-aprovado, com calma e comparando taxas
4 a 7 semanasCobrar ativamente os atrasados e as parcelas próximasAdiar compras de estoque que não giram no períodoRever despesas que podem esperar um mês
2 a 3 semanasConcentrar esforço nos clientes que pagam mais rápidoComprar só o essencial para venderUsar o limite contratado ou antecipar recebíveis, como último recurso

Na Loja Exemplo, o alerta aparece com oito semanas de antecedência. Renegociar 30 dias a mais com os dois maiores fornecedores de estoque e cobrar Pix com desconto nas vendas de dezembro tende a resolver o vale sem pagar juros de emergência.

A rotina de 30 minutos por semana

Segunda-feiraConciliar extratos de bancos, conta digital e maquininha. Atualizar o saldo inicial.
Terça-feiraLançar o realizado da semana anterior e acrescentar a nova semana 13.
Quarta-feiraCalcular os desvios, olhar o acumulado de quatro semanas e ajustar premissas.
Quinta-feiraConversa curta com quem vende e quem compra: o que mudou em pedidos, prazos e cobranças.
Sexta-feiraSe alguma semana furou o mínimo, disparar o gatilho combinado.

Split payment: o que muda na sua projeção a partir de 2027

A reforma tributária (LC 214/2025) cria o split payment: no momento em que o cliente paga, a parte do IBS e da CBS é separada e segue direto para o governo. Para quem for alcançado pelo mecanismo, a linha de recebimentos da projeção passa a ser líquida do imposto.

Como uma venda de R$ 10 mil entra no caixa hoje e com o split payment Hoje R$ 8 mil do negócio Imposto R$ 2 mil Os R$ 10 mil entram na conta. O imposto só sai no vencimento, semanas depois. Com split R$ 8 mil do negócio segregado Entram só R$ 8 mil. A parte do IBS e da CBS é separada na liquidação do pagamento.
Alíquota ilustrativa de 20%, apenas para mostrar o mecanismo.

O efeito no caixa é o fim de uma folga silenciosa. Hoje a empresa recebe o valor cheio e só recolhe o imposto no vencimento, o que muitas vezes financia algumas semanas de operação. Com o split, esse dinheiro nunca passa pela conta. Quem usa essa folga para pagar fornecedor vai precisar recompor o saldo mínimo.

O que se sabe em setembro de 2026: este é um ano de teste, com alíquotas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Análises de escritórios contábeis indicam que o split começa de forma facultativa em 2027 e passa a ser obrigatório entre empresas em 2028, mas a Receita Federal ainda não fixou uma data para a obrigatoriedade, que depende da integração das instituições de pagamento. No Simples Nacional, quem optar pelo regime híbrido (IBS e CBS recolhidos por fora do DAS, com efeito a partir de janeiro de 2027) terá esses tributos apurados pelo regime regular, com split; para quem fica só no DAS, a forma de aplicação ainda depende de regulamentação. Segundo análises da LC 214/2025, antecipar recebíveis não afasta a segregação. Entenda o mecanismo no artigo Split payment: o imposto retido na fonte do pagamento e confirme o seu caso com o contador.

Quanto custa não projetar

Descobrir o buraco na semana dele custa juros de emergência. Descobrir com oito semanas de antecedência custa uma conversa com o fornecedor. O preço do dinheiro no Brasil deixa essa diferença bem concreta.

  • Selic definida pelo Copom em 16/09/202613,75% ao ano
  • Taxa média do crédito livre para empresas, agosto de 2026Banco Central, dados divulgados em 29/09/202624,2% ao ano
  • Capital de giro até 365 dias nos grandes bancosFecomércio-RS, levantamento de janeiro de 20262,18% a 3,17% ao mês
  • Empresas negativadas no Brasil, julho de 2026Serasa Experian; alta de 14,8% em 12 meses, 8,7 milhões são micro e pequenas9,2 milhões de CNPJs
Descobrir na semana do buracoDescobrir 8 semanas antes
OpçõesCheque especial, antecipação de recebíveis, atrasar tributo ou fornecedorRenegociar prazos, ajustar compras, cobrar antes, contratar crédito planejado
Custo típicoJuros altos, multa e juros de moraZero a baixo
Poder de negociaçãoNenhum: quem precisa hoje aceita a taxa oferecidaAlto: dá para comparar e recusar
Efeito no créditoRisco de negativação e restriçãoHistórico limpo e relação melhor com o banco
A conta da antecipação

Antecipar R$ 20 mil do cartão com 30 dias de antecedência a 2,5% ao mês custa cerca de R$ 490. Parece pouco, mas 2,5% ao mês equivalem a 34,5% ao ano, bem acima da média do crédito livre para empresas. Feito todo mês, vira um custo fixo que come a margem. Antecipação resolve uma semana; não resolve um modelo de caixa. Se precisar de crédito, compare antes linhas como o PRONAMPE 2026, com teto de Selic mais 6% ao ano.

Calculadora de projeção de caixa em 13 semanas

Coloque os números da sua empresa e veja em quais semanas o saldo fura o mínimo. A calculadora supõe três meses completos: folha e fixos nas semanas 1, 5 e 10; DAS e FGTS nas semanas 3, 7 e 11; parcelas de empréstimo nas semanas 2, 6 e 10; e as vendas a prazo entrando quatro semanas depois. É uma simplificação para diagnóstico rápido, não substitui a sua planilha com as datas reais.

Simulador de 13 semanas

Valores em reais. Nada é enviado nem salvo.

Menor saldo–
Semana do menor saldo–
Semanas abaixo do mínimo–
Saldo na semana 13–
Ver a projeção semana a semana
SemanaEntradasSaídasSaldo final

E se eu antecipar recebíveis?

Visão do CFO: projeção não é ferramenta de crise

Projeção de 13 semanas não é ferramenta de crise. É o que evita a crise. Quem só monta a planilha quando o banco pede já chega à mesa negociando em desvantagem.

William Kiso, fundador e editor do Save The Money

O senso comum diz que empresa pequena não precisa de projeção sofisticada, que basta olhar o extrato. Penso o contrário. Quanto menor a empresa, menor a margem para errar uma semana. Uma grande companhia absorve um mês ruim com a linha de crédito que já tem. A pequena depende de a folha, o DAS e o fornecedor caberem, todos, na mesma semana.

E há um segundo engano comum: achar que o objetivo é acertar. Não é. Errar a projeção faz parte. O problema é errar sempre para o mesmo lado e chamar isso de azar. Quem compara previsto e realizado toda semana descobre em poucos meses quais premissas mentem, e a partir daí o caixa deixa de surpreender.

Checklist: a sua projeção está pronta se

Perguntas frequentes

O que é projeção de caixa de 13 semanas?

É uma planilha que lista, semana a semana, o dinheiro que vai entrar e sair da empresa nos próximos três meses, a partir do saldo real do banco. Toda semana a semana encerrada vira histórico e uma nova é acrescentada, para você sempre enxergar 13 semanas à frente.

Por que 13 semanas e não um mês ou um ano?

Treze semanas formam um trimestre: tempo curto o bastante para prever com base em compromissos já assumidos e longo o bastante para agir antes do aperto, renegociando prazos, ajustando compras ou contratando crédito com calma.

Qual a diferença entre fluxo de caixa projetado e DRE?

A DRE mostra lucro pelo regime de competência, registrando receitas e despesas quando acontecem. A projeção de caixa mostra quando o dinheiro efetivamente entra e sai. Uma empresa pode ter lucro na DRE e ficar sem caixa na semana da folha.

MEI precisa fazer projeção de caixa?

Não é obrigatório, mas ajuda muito quando há vendas no cartão, clientes que pagam a prazo ou compras de estoque. Uma versão simples com as entradas previstas, o DAS, as compras e as retiradas do dono já evita a maioria das surpresas.

Como definir o saldo mínimo de caixa?

Uma regra prática é manter entre 1,5 e 2 semanas de saídas fixas, como folha, aluguel, tributos e parcelas de dívida. Negócios sazonais ou com poucos clientes grandes devem usar o topo da faixa ou um valor maior.

Com que frequência devo atualizar a projeção?

Toda semana, no mesmo dia. A rotina leva cerca de 30 minutos: conciliar extratos, lançar o realizado, acrescentar a nova semana, comparar previsto com realizado e acionar gatilhos se o saldo projetado furar o mínimo.

Devo incluir o principal do empréstimo na projeção?

Sim. O principal da parcela não aparece como despesa na DRE, mas sai do caixa. Lance a parcela inteira, com principal e juros, na semana do débito.

Antecipar recebíveis resolve o buraco de caixa?

Resolve a semana, não o modelo. A antecipação troca dinheiro futuro por dinheiro hoje com desconto: 2,5% ao mês equivalem a cerca de 34,5% ao ano. Feita com frequência, vira custo fixo. Use como último recurso, depois de renegociar prazos e ajustar compras.

O split payment muda a minha projeção?

Para as empresas alcançadas pelo mecanismo da reforma tributária, sim: a parte do IBS e da CBS passa a ser separada no momento do pagamento, e a linha de recebimentos fica líquida do imposto. O calendário de obrigatoriedade ainda depende de definição da Receita Federal; confirme o seu caso com o contador.

Qual o erro aceitável entre previsto e realizado?

Não existe um percentual oficial para pequenas empresas. Como referência, contratos de crédito para empresas em reestruturação costumam tolerar desvio acumulado de 10% a 20% em quatro semanas. Mais importante do que o tamanho do erro é verificar se ele vai sempre para o mesmo lado.

Conclusão

A projeção de caixa em 13 semanas não exige software caro nem formação em finanças. Exige uma planilha, 30 minutos por semana e a disciplina de lançar o dinheiro na data em que ele se move de verdade. Em troca, ela entrega o que nenhum relatório mensal entrega: tempo. Tempo para renegociar, cobrar, adiar e escolher o crédito, em vez de aceitar o primeiro que aparecer.

Comece hoje com o saldo do extrato, as vendas no cartão já feitas e o calendário da folha e dos tributos. Na próxima segunda-feira, compare com o que aconteceu. Em um mês, você vai conhecer o seu caixa melhor do que a sua própria contabilidade.

Para aprofundar: livros recomendados

Capa do livro Fluxo de Caixa: A Visão da Tesouraria e da Controladoria, de Carlos Alexandre Sá

Fluxo de Caixa: A Visão da Tesouraria e da Controladoria

Autor: Carlos Alexandre Sá

O livro mais próximo da prática de tesouraria: como montar, projetar e controlar o fluxo de caixa no dia a dia, com a lógica de quem precisa decidir com o saldo da semana.

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Capa do livro Administração do Capital de Giro, de Alexandre Assaf Neto e César Augusto Tibúrcio Silva

Administração do Capital de Giro

Autores: Alexandre Assaf Neto e César Augusto Tibúrcio Silva

A referência brasileira para entender ciclo de caixa, prazos de recebimento e pagamento, estoques e necessidade de capital de giro, os motores por trás de cada linha da projeção.

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Fontes e referências

  1. Banco Central do Brasil. Série 432: meta Selic definida pelo Copom (13,75% ao ano desde 16/09/2026). dadosabertos.bcb.gov.br
  2. Agência Brasil. Juros para famílias sobem em agosto e inadimplência chega a 6% (Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, 29/09/2026). agenciabrasil.ebc.com.br
  3. Banco Central do Brasil. Série 20724: taxa média de juros de capital de giro para pessoas jurídicas. dadosabertos.bcb.gov.br
  4. Fecomércio-RS. Monitor de Juros, janeiro de 2026. fecomercio-rs.org.br
  5. Serasa Experian. Indicadores econômicos: inadimplência das empresas, julho de 2026. serasaexperian.com.br
  6. Presidência da República. Lei Complementar nº 214/2025 (IBS, CBS e split payment). planalto.gov.br
  7. Receita Federal. Simples Nacional: prazos de opção e recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular. receita.fazenda.gov.br
  8. Sebrae. Planilha para construção do fluxo de caixa. sebrae.com.br
  9. Float (Xero). How accurate are 13-week cash flow forecasts? floatapp.com
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